segunda-feira, 27 de agosto de 2012

[ARTE & CIÊNCIA - um sabor & saber] - As meninas, Diego Velásquez





A Família de Filipe IV, mais conhecida como As Meninas, é o nome de do quadro do pintor  pintor espanhol Diego Velásquez (óleo sobre tela, em 1656). A obra está hoje no Museu do Prado.

Michel Foucault tomou esta tela e abre seu trabalho no livro “As palavras e as coisas”. Creio fundamental, tomar isto como um dos pontos a pensar a relação entre a arte e a análise filosófica, no caso de Foucault, que mostrou ser possível extrapolar a barreira do monólogo da ciência com ela mesma. Além de fossilizante, diria, limitado. (Fátima G., 2012).

Disse Foucault, de início:
O pintor olha o rosto ligeiramente virado e a cabeça inclinada para o ombro. Fixa um ponto invisível, mas que nós, espectadores, podemos facilmente determinar, pois que esse ponto somos nós mesmos: nosso corpo, nosso rosto, nossos olhos. O espetáculo que ele observa é, portanto, duas vezes invisível: uma vez que não é representado no espaço do quadro e uma vez que se situa precisamente nesse ponto cego, nesse esconderijo essencial onde nosso olhar se furta a nós mesmos no momento em que olhamos. E, no entanto, como poderíamos deixar de ver essa invisibilidade, que está aí sob nossos olhos, já que ela tem no próprio quadro seu sensível equivalente, sua figura selada? Poder-se-ia, com efeito, adivinhar o que o pintor olha, se fosse possível lançar os olhos sobre a tela a que se aplica; desta, porém, só se distingue a textura, os esteios na horizontal e, na vertical, o oblíquo do cavalete. O alto retângulo monótono que ocupa toda a parte esquerda do quadro real e que figura o verso da tela representada reconstituiu, sob as espécies de uma superfície, a invisibilidade em profundidade daquilo que o artista contempla: este espaço em que nós estamos, que nós somos. Dos olhos do pintor até aquilo que ele olha, está traçada uma linha imperiosa que nós, os que olhamos, não poderíamos evitar: ela atravessa o quadro real e alcança, à frente da sua superfície, o lugar de onde vemos o pintor que nos observa; esse pontilhado nos atinge infalivelmente e nos liga à representação do quadro.

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